quem sou



Nasci em uma família de autônomos, meus pais trabalham na feira livre (essas de ruas sabe? Que vende pastel, frutas, legumes...) antes mesmo de eu surgir em suas vidas. Desde bebê, minha mãe me enrolava em cobertores muito grossos e me levava com ela. Segundo meus pais, eu era alegria dos feirantes, vivia passando de mão e mão. Cresci entre eles e neles, encontrei outra família. Ganhava muitos presentes dos clientes que freqüentavam a feira e dos próprios feirantes -- que se certificavam de me ensinar tudo quanto é palavra imprópria (tsc, tsc... rsrs).

Em uma feira específica, a de sábado, havia uma banca de jornal, lugar em que eu passava a maior parte do tempo. Ali eu me esquecia do mundo! Queria poder devorar tudo: gibis, revistas, livros, jornais... mas eu não sabia ler! Lembro de tudo isso com a mesma emoção da época: desespero. Eu queria desesperadamente saber o que as pessoas tinham colocado naquelas páginas. De tanto que eu ia lá, meu pai ficou um pouco sem graça e acabou por comprar um gibi da Turma da Mônica. Na época, eram lançados esses gibis minúsculos que eram vendidos em cruzeiros, faziam um enorme sucesso entre a criançada – da qual eu nunca imaginei poder ter um. Havia tanto número que eu pensei que meu pai era rico por ter podido comprar aquele gibi pra mim. A minha felicidade era tanta que eu não conseguia conter, pulava o tempo todo, com um sorriso enorme que mal cabia na boca. Mas logo essa felicidade se foi, pois eu não sabia o que estava escrito ali. Meu falecido irmão, sentindo pena, passou a ler uma historinha por vez. Ele leu o gibi inteiro em uma semana, foi a primeira e última coisa que leu para mim. Tenho esse gibi até hoje e guardo como se fosse um tesouro muito precioso. Coisa que na verdade é.

Eu queria loucamente poder aprender a ler, mas eu só fui me familiarizar com as letras e com as palavras na terceira série. Para quem muito se esforçou para ler, achei que consegui muito tarde! Meus amiguinhos conseguiram muito antes de mim, já na primeira série. Era uma vergonha, mas acho que foi essa vergonha e o atraso que eu senti em relação a tudo que eu gostaria de ler, que nunca mais parei. Eu lia de tudo, mas me cansava muito rápido. Era uma verdadeira batalha todos os dias, muito árdua, custou meus olhos e um pouco mais, só que eu nunca me deixei abater. Venci a batalha, conseguia ler quase duas páginas inteiras de um livro sem imagens! Era uma vitória! A partir daí, já viu né?

Logo que conseguia ler livros sem imagens, eu passei a pensar que também poderia escrevê-los! Então, já na quinta série era conhecida na escola inteira pela menina que escrevia livros (olha só, isso não daria um ótimo título? rs). Nessa época, eu ainda ia para feira todo final de semana, e tinha até uma bacana própria no domingo! Vendia panos de limpar o chão. De manhã, quando a feira ainda está vazia, eu sentava no meu banquinho, dobrava umas folhas de papel sulfite, o suficiente para conseguir grampear no centro, e escrevia minhas estórias ali, na minha banca, enquanto esperava os clientes.

No entanto, a vontade de escrever estórias veio muito antes de poder escrever ou ler. Eu rabiscava o papel, misturando traços e formas e ia “ler” para minha mãe ou meu pai. O papel era mágico, eu sempre podia reinventar as historinhas, já que não havia nada ali, eu podia inventar! Minha mãe diz que tem uma dessas “cartas” até hoje, mas eu nunca mais as vi.

De qualquer maneira, o sonho de ser escritora me transformou numa profissional do livro. Eu acreditava que, se eu soubesse como o livro era feito, por quais processos ele estava submetido, eu estaria apta a escrever coisas maravilhosas! Que poderia tocar as pessoas e até mesmo, mudá-las de alguma maneira.

Então fui à luta.

Sempre estudei em escola pública, meus pais nunca quiseram ou puderam pagar uma escola particular e boa. Mas mesmo assim, sempre fui uma das melhores da classe, fundando até mesmo um grêmio no último ano. Além de ter sido capitã pelos dois anos que atuei no time de handebol da escola. Só que tudo isso nunca me impediu de ser uma menina má: cabulava, brigava com colegas, chegando a usar a força física. Me formei no colegial com louvor, mas era burrinha... burrinha... pois mesmo sendo uma das melhores, do que adianta se tudo o que vc aprende não é o suficiente?

Fui para o cursinho. Cara... o que era tudo aquilo??? Aquilo tudo realmente existia? Me senti mais burra ainda. Era difícil acompanhar o raciocínio da galera e muito mais ainda fixar toda aquela informação -- que eu deveria ter aprendido na escola -- de uma única vez! Era demais.

O fato é que, mesmo sendo muito esforçada, não consegui passar na USP. Eu tinha perdido muito tempo na escola, tempo que demoraria demais para ser recuperado. Não estou dizendo que sou lerda. Mas quando não se tem tudo no momento adequado, depois fica muito mais difícil.

Tempos atrás, meu pai ficou muito doente e por conta disso, se aposentou. Se não fosse por esse infortúnio, provavelmente eu não teria feito faculdade, pois foi com o dinheiro de sua aposentadoria que eu paguei por meus estudos. Logicamente eu poderia ter estudo mais, ter me esforçado mais, mas da onde eu venho, não tive exemplos e as pessoas não me davam confiança, dizendo que eu não passaria na maior faculdade do país. Hoje eu sei que foi balela, que não deveria ter ouvido essas coisas, mas aos 17, 18 anos eu era muito diferente do que sou hoje.

Anyway, fiz faculdade. Produção Editorial (mas para entrar nesse curso, foi uma aventura aparte, da qual não vou dizer aqui) na Universidade Anhembi Morumbi. Obtive dois diplomas: Produção editorial e fotografia. Mas minha câmera só pude comprar esse ano  – 2012 –  (e digamos, já esqueci tudo! rs).

No primeiro momento, eu queria trabalhar com texto, óbvio se vc pensar qual era o meu sonho desde o inicio, mas fui jogada para o design pelo destino. E me dei bem nessa área. Logicamente não sou uma das melhores do mundo, mas sou uma das mais esforçadas, isso eu posso garantir. Se sou diagramadora hoje foi pq alguém divino quis assim. E eu descobri em mim uma paixão por isso, coisa da qual nunca me interessou. Mas acho que é assim que acontece, por exemplo, se gosta de novela, pode querer se tornar atriz ou ator, mas dificilmente pensará em trabalhar com figurino, filmando, dirigindo... pois essas coisas, por mais que estão ali, elas são sutis. O brilho está ofuscado pelas personagens.

A mesma coisa acontece com os livros, os leitores, na maior parte, não sabem como os livros são feitos, para eles, essas belezocas aparecem como mágica na prateleira da livraria, pois para o mundo inteiro, só existe o escritor, não existe o diagramador, o capista e etc. Quando as pessoas perguntam qual é minha profissão ou em que formei, caiem de costas! Ou simplesmente não entendem! É engraçado...rs

Ainda não desisti da escrita, apesar de nunca mais ter conseguido terminar um único conto direito depois que passei a trabalhar profissionalmente nos bastidores do livro. Só descobri outra paixão, outro interesse na qual me dedicar. E a prova de que eu ainda não desisti da escrita, é o fato de ter escrito três páginas de Word para falar sobre minha pessoa – algo completamente desinteressante para qualquer um, mas me diverti com isso. É o que conta.

Então, para resumir, quem eu sou? Sou alguém que mesmo antes de saber o que eram livros, se apaixonou por eles e fez deles seu motivo para continuar vivendo.

E como eu já disse, apesar de não saber tudo, me esforço muito, por isso criei esse blog/site/portfólio, para continuar estudando, trabalhando e poder pôr aqui tudo isso, compartilhar minhas experiências e meus estudos. Ajudando e sendo ajudada. Esse é o intuito.

Um comentário:

  1. Elis querida, sua paixão pelos livros é realmente cativante e legítima.
    Seus trabalhos são cada vez melhores e este site é uma simpatia.

    Vida longa e próspera \V/ e sucesso sempre!
    Sou da sua torcida!
    bjs,
    Helen N.

    ResponderExcluir